Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Desporto - FUTEBOL - CAF: Manuel José eleito treinador do ano e repete glória junto ao Nilo

undefinedO português Manuel José foi eleito como melhor treinador a actuar em África, durante a gala da Confederação Africana de Futebol (CAF), que também escolheu para melhor jogador africano o costa-marfinense Didier Drogba, do Chelsea.

Era esperada, nesta festa do futebol africano, realizada em Accra, a escolha do técnico português, que tem levado o Al Ahly, do Egipto, a uma série de vários sucessos, tanto a nível local como nas competições continentais.

O Al Ahly foi também esperado ganhador na categoria de clube e coloca três elementos na selecção ideal do ano de 2006.

Drogba, o artilheiro do Chelsea, sucede ao camaronês Samuel Eto'o, do Barcelona, vencedor nos três anos anteriores, levando pela primeira vez o troféu para a Costa do Marfim.

A dez dias de completar 29 anos, Drogba está no pico da sua carreira como jogador, tendo sido peça fulcral no sucesso dos ingleses do Chelsea, clube campeão de Inglaterra nas duas últimas épocas.

O poderoso costa-marfinense - 1,88 metros e 75 kg - chegou a Londres em Julho de 2004, depois de sete épocas em França, onde alinhou sucessivamente ao serviço de Le Mans, Guingamp e Marselha.

Além das duas conquistas da Liga inglesa tem já duas Taças da Liga e uma Community Shield, pelo Chelsea, tendo chegado à final da taça UEFA com o Marselha.

Em 2006 foi pela sua selecção finalista derrotado na Taça Africana das Nações (CAN).

Drogba ganhou a uma concorrência de grande nível, sendo os outros dois finalistas Eto'o, mais uma vez, e o ganês Michael Essian, companheiro de Drogba no Chelsea.

O egípcio Mohamed Abou Treka, médio do Al Ahly, recebeu o prémio de melhor jogador nas competições africanas de clubes e o prémio para melhor selecção nacional foi para o Gana.

A Nigéria arrecadou dois prémios - melhor sub-23, para Taiwo Taye, do Marselha, e melhora jogadora, para Cynthia Uwak.

É o treinador com mais jogos na primeira divisão portuguesa (560), mas em Portugal faltou-lhe sempre subir o último degrau numa carreira preenchida o sucesso num grande clube ou na selecção.

Mais do que falta de oportunidade, Manuel José pode queixar-se do desacerto dos timings treinou o Sporting, por duas vezes na década de 80, numa época em que o clube de Alvalade era o aristocrata desacreditado do futebol português; entrou no Benfica, em 1996, quando o clube da Luz vivia a voragem dos primeiros anos de uma crise que só o último campeonato conseguiu estancar; chegou até a estar com os dois pés na selecção nacional depois do desastre português no Mundial 2002, mas uma cartada de última hora de Gilberto Madaíl para acalmar uma contestação generalizada fez cair por terra o pré-acordo em favor da contratação do campeão do mundo pelo Brasil, Luiz Felipe Scolari. A felicidade estava, afinal, mais a sul. Noutro continente. Manuel José encontrou-a no Al-Ahly, do Egipto, com o qual se sagrou este sábado campeão africano, pela segunda vez.

O Al-Ahly é o Real Madrid de África, como o treinador algarvio (nascido em Vila Real de Santo António, há 59 anos) se orgulha de salientar. Eleito o melhor clube africano do século XX, oferece a Manuel José uma condição que dificilmente poderia encontrar até em qualquer um dos três grandes portugueses. O excesso e a extravagância cultivados pela sociedade egípcia, que tem no futebol uma das suas maiores paixões, retribuem com juros ao técnico a grandeza que sempre lhe fugiu por entre os dedos em Portugal. Com cerca de 70% dos 16 milhões de habitantes do Egipto como adeptos do Al-Ahly, o ego de Manuel José é constantemente alimentado por banhos de afecto sempre que sai à rua. Uma vez, conta, chegou a estar meia hora retido no meio da estrada para dar autógrafos quando foi reconhecido por outro condutor. Por isso, prefere passar o tempo entre a sede do clube e o 20.º andar do luxuoso Hotel Marriott, onde vive com a mulher Eugénia num quarto com vista sobre o Nilo.

A popularidade do técnico responde directamente ao ritmo dos resultados que Manuel José apresenta. E o português tem justificado largamente o estatuto. Já o fizera em 2001, aquando da sua primeira passagem pelo Cairo, quando conquistou a sua primeira Liga dos Campeões africana com o Al-Ahly. Este ano repetiu o feito e construiu números impressionantes. Com a vitória (3-0) sobre os tunisinos do Etoile du Sahel, na segunda mão da final, são já 52 jogos consecutivos sem conhecer a derrota, apagando os registos do anterior campeão egípcio, o Zamalek treinado por outro português, Nelo Vingada (actualmente treina a Académica), que também chegara ao fim do campeonato sem perder um jogo. A rivalidade entre os dois clubes do Cairo é assim uma espécie de Sporting-Benfica elevado à potência. E Manuel José voltou a fazer pender a balança para o prato do Al-Ahly - com este título de campeão africano, o quarto, desafia a superioridade do Zamalek na prova (5 vitórias).

O técnico operário, produto da comunidade piscatória algarvia, viu abrirem-se-lhe no Egipto as portas da aristocracia. E por isso não surpreende quando afirma que não será fácil abandonar o Cairo nos próximos tempos. Em Portugal, o barómetro do seu sucesso ficou pela média burguesia portuense, onde no início da década de 90 lançou as sementes de um "Boavistão" que viria a consagrar-se na viragem do século. Mas construiu sempre, ao longo de mais de 20 anos e 10 clubes de carreira, um personagem de tons fortes e discurso frontal no futebol português. É o treinador dos 7-1 do Sporting ao Benfica, o mentor das várias noites europeias de um Estádio do Bessa que fez tombar vários grandes europeus e popularizou as camisolas esquisitas do xadrez, o destemido que prometeu um Benfica à Benfica em mês e meio quando entrou na Luz, o guerreiro que se insurgiu contra o "Tarzan" Mourinho que o substituiria em Leiria, o táctico que melhor usou o esquema de três centrais no futebol português.

A consagração obteve-a nas seculares margens do Nilo. Manuel José vai ser o único treinador português presente no próximo Mundial de Clubes, no Japão, de 11 a 18 de Dezembro.
 

Diário Digital / Lusa e rui frias em www.dn.sapo.pt

tags:
publicado por paulozananar às 14:40
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Fevereiro 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28

.posts recentes

. Curiosidades - Atraso de ...

. Importante - 'Homejacking...

. Curiosidades - Professore...

. Escola - Ministra rejeito...

. Curiosidades - Descoberta...

. Rali- Rali do Japão

. Saúde - Aftas O que as pr...

. Importante - Investigador...

. Importante - FIM aprova A...

. Ralis - Oportunidade de o...

.arquivos

. Fevereiro 2009

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

.tags

. curiosidades

. desporto

. desporto motorizado

. desportos motorizados

. escola

. importante

. informação

. nutrição

. ralis

. saúde

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds